Como estabelecer metas possíveis nas suas finanças?

metas possíveis

Qualquer momento pode ser ideal para você refletir os acertos e falhas do ano anterior! E quando se trata do assunto “dinheiro”, a questão chama ainda mais atenção das pessoas, que buscam formas de estabelecer metas possíveis nas finanças.

Para que seus objetivos realmente saiam do papel, é preciso definir metas realistas e, para quem busca melhorar a sua condição financeira, é importante sempre considerar as seguintes metas:

  • gastar menos do que ganha;
  • criar uma reserva emergencial;
  • pagar à vista sempre que possível;
  • usar cartão de crédito apenas quando necessário;
  • estabelecer prioridades.

Continue a leitura e entenda de que forma planejar e realizar essas metas, tornando-as possíveis. Boa leitura!

Por que é tão difícil cumprir metas?

Uma coisa é certa: a forma como lidamos com dinheiro não é 100% racional. Isso significa que com frequência não tomamos decisões necessariamente racionais, pois não conseguimos separar a razão da emoção. E isso é absolutamente normal, todos funcionamos assim!

Um estudo da APA (American Psychological Association) indica que 72% dos americanos vivem em constante situação de estresse financeiro, o que pode acarretar em problemas como ansiedade e depressão. 

Essa realidade não é muito diferente do Brasil. Com a pandemia, a taxa de desemprego no país subiu para 14.6%, ou seja,  mais de 14 milhões de brasileiros com dificuldades financeiras. 

Tudo isso afeta a nossa saúde mental e a  maneira como nos relacionamos com outras pessoas. As emoções influenciam não só a nossa relação com o dinheiro, mas outras esferas da nossa vida: relacionamentos, vida profissional, familiar etc.

Uma pessoa que anda ansiosa ou depressiva tende a gastar mais, como forma de lidar ou “suprir” as dificuldades. E isso acaba muitas vezes numa bola de neve de dívidas, juros e gastos desnecessários. Você já passou por isso?

Se você é alguém que se perde na tentativa de economizar, saiba que é possível poupar e ter qualidade de vida! Porém, o caminho não é fácil. É preciso organização, disciplina e autoconhecimento.

A internet diz para você nunca comprar aquele cafezinho, mas se ele faz diferença para você, o ideal é criar as suas próprias metas, incluindo o cafezinho. Cada pessoa tem seus desafios, objetivos e prioridades na vida. O que funciona para o outro pode não funcionar para você!

Confira nossas dicas básicas, para te ajudar a ter mais sabedoria na hora de criar metas ,mas não qualquer meta, e sim metas possíveis de serem concretizadas.   

Existe uma fórmula para criar metas possíveis?

Faça uma auto observação

O primeiro ponto para você observar é compreender o papel das emoções na sua tomada de decisões financeiras

São muitos sentimentos envolvidos quando lidamos com dinheiro: o prazer de comprar uma roupa nova, o alívio de quitar o apartamento, o estresse de não ter dinheiro suficiente para pagar uma conta ou realizar um sonho etc. 

Toda vez que você resolve gastar com determinado assunto, saiba que existe uma emoção positiva ou negativa incluída no processo. 

Logo, comece pensando nos seus principais gastos:

  • Quais deles realmente são necessários para saúde, bem-estar e sobrevivência?; 
  • E quais deles poderiam ser cortados, ou seja, não fariam falta? 

Desses gastos dispensáveis, reflita o que motivou você naquele momento. O que você estava sentindo? Se pergunte: 

  • Quais estados emocionais te influenciam a gastar? Medo, estresse, tristeza, algum tipo de pressão social ou cobrança?; 
  • E que situações se tornam o gatilho para você gastar demais ou comprar o que não precisa?  

Se auto avalie. Procure não colocar a culpa em outras pessoas ou fatores externos, já que isso pode dificultar a sua vontade de mudança.

A ideia não é que você seja extremamente rígido e inflexível quanto às próprias finanças! Momentos de satisfação pontual também são importantes!

Tenha em mente que as metas possíveis começam pela observação detalhada de como você se comporta. Só então você poderá criar metas que fazem sentido e podem ser realmente colocadas em prática.

Seja realista

Não adianta definir metas e planos de ação se eles não estiverem dentro de sua realidade. Metas fantasiosas poderão servir de auto sabotagem, fazendo com que você desista em pouco tempo.

Portanto, tenha clareza de qual é seu custo de vida. Coloque no papel todas as despesas de um mês normal e também todas as fontes de renda. Não esqueça de taxas e impostos. Separe tudo em categorias para que você diferencie o que é recorrente do que é esporádico. 

Reflita ainda se não é possível aumentar a sua renda, seja através de uma promoção de cargo, trabalhos freelancer ou novas atividades. 

Nessa hora muita gente se perde. Evite contar com fontes de renda sazonais, pois é nesse momento que você tende a criar mais dívidas. 

Entenda os gatilhos que te fazem gastar mais

Como já falamos anteriormente, boa parte das nossas compras são por algum tipo de impulso. Não estamos necessariamente precisando daquele produto ou serviço, mas por vários motivos acabamos gastando de qualquer jeito.

Normalmente, isso acontece porque nos deixamos levar pelos chamados gatilhos mentais. São elementos que despertam alguma ação no nosso inconsciente e influenciam nas nossas tomadas de decisão. 

Quer um exemplo? Quando você se depara com anúncios promocionais. O desconto vai acabar logo e você não quer perder aquela oportunidade, mesmo que não esteja precisando do produto. Esse é o gatilho da urgência. 

Outro exemplo comum. Quando você percebe que gasta mais do que gostaria em delivery de comida. Será que é porque não tem comida em casa ou porque simplesmente tem preguiça de cozinhar? 

Seja qual for a razão, basta passar um anúncio delicioso que você se sente compelido a comprar. Merecedor de comer algo gostoso, não é mesmo? Afinal, trabalhou o dia todo! E assim acaba gastando muito mais do que deveria só com alimentação. 

E aí, como evitar esses gatilhos?

Depois de identificá-los, o próximo passo é evitá-los. Usar menos o celular, se policiar no tempo que fica dentro das redes sociais, desinstalar aplicativos se necessário etc.

Mas não se auto flagele! Lembre-se que as metas possíveis são um norte, não algo que precisamos seguir à risca. O mais importante é ir construindo o hábito de olhar para as finanças com constância, fazendo com que isso vire rotina. 

Atente-se ao fenômeno da ancoragem

Você já ouviu falar nesse fenômeno? 

Nossas percepções de preço e valor são muito subjetivas. Em uma tentativa de poupar esforço, nossa mente trabalha com referenciais. Ou seja, se vemos um objeto agora com determinado preço, esse preço passa a ser nossa referência. 

Vamos sempre comparar o preço do mesmo objeto em outros lugares com base nesse primeiro valor, sem pensar se o valor real do objeto faz sentido. 

Essa técnica é muito utilizada no comércio para garantir que as pessoas acreditem que estão fazendo um bom negócio. Então, fique esperto!

Busque apoio de outras pessoas

No livro Nudge, de Richard Thaler, o autor traz uma dica muito valiosa: quando você quiser se comprometer com uma meta , compartilhe com outra(s) pessoa(s). Ter esse comprometimento externo é um poderoso meio de garantir que a gente se mantenha no caminho. 

Quer um exemplo? Você já deve ter notado pessoas compartilhando o processo de emagrecimento nas redes sociais, os famosos “antes e depois”. Isso não é à toa. 

Contar com apoio, reconhecimento e até elogios de outras pessoas faz toda diferença nesse processo de continuar com a meta. Isso porque além da motivação extra que você recebe, sempre existe a possibilidade de motivar outras pessoas ao longo do caminho. 

Mas nesse caso, também existe outro gatilho mental por baixo dos panos. O gatilho do compromisso.

As pessoas não querem ser um mau exemplo. A lógica é: se posto hoje nas redes sociais que vou cumprir a meta X, preciso cumprir a palavra. Não quero decepcionar e nem passar a imagem de que não tenho força de vontade. 

É claro que existe uma pressão social envolvida aqui. Porém, se não houver exageros nem busca por perfeição que não existe, compartilhar metas possíveis com outras pessoas pode ser sim bastante benéfico!

Então, garanta que você converse sobre dinheiro e metas financeiras com as pessoas ao seu redor: amigos, família, parceiro(a). Isso incentiva que um ajude o outro a atingir seus objetivos, e também a não sair dos planos por qualquer coisinha.

 Como vimos, a economia comportamental (intersecção da economia com a psicologia), garante que entendamos um pouquinho melhor como tomamos decisões. E o melhor, o que podemos fazer para tomá-las de forma mais saudável e generosa com nosso eu do futuro. 

Tomando decisões financeiras

Daniel Kahneman, principal pesquisador dessa área no mundo, indica no seu livro “Pensando Rápido e Devagar” um recurso para tomar boas decisões financeiras: o delay, que é adiar a tomada de decisão para ter a chance de estar emocionalmente mais estável. 

 Essa postergação nos dá a oportunidade de ponderar melhor se uma decisão faz sentido mesmo ou se é apenas um impulso. Assim, você se torna capaz de organizar suas finanças, e não se tornar “escravo” delas.

5 metas possíveis para suas questões financeiras

Conheça algumas metas importantes que devem fazer parte de seu planejamento. Lembrando que tudo depende do seu momento financeiro e das suas prioridades!

1. Gastar menos do que ganha

Uma das principais metas possíveis para qualquer planejamento financeiro é seguir esta regra. Com isso, você evita dívidas e consegue ter uma vida financeira mais saudável.

Para isso, separe o dinheiro das contas fixas mensais e controle o uso do cartão de crédito. Você tem a tendência de gastar mais sempre que sai com cartão? Avalie deixá-lo em casa em certos momentos. Assim, será mais fácil controlar as despesas e mantê-las inferiores às suas receitas.

2. Criar uma reserva emergencial

Imprevistos podem acontecer e bagunçar todos os nossos planos. Por isso, quanto mais nos preparamos para lidar com contratempos, menores serão os prejuízos no futuro.

Sempre que possível, reserve uma parte dos seus ganhos mensais. Você pode começar com um valor bem baixo, e ir aumentando conforme passa a semana ou mês. 

Se você tem algum sonho específico, como realizar uma viagem, pode fazer uma reserva à parte. Pesquise antes a média de gastos que você terá, quando quer viajar e o quanto precisará guardar para atingir essa meta.

3. Pagar à vista sempre que possível

Outra meta financeira possível de você concretizar é dar preferência para pagamentos à vista. Muitas vezes, os comerciantes ainda oferecem descontos para quem não parcela suas compras. Assim, você ainda consegue economizar e pagar um preço menor.

Os pagamentos à vista ajudam no planejamento financeiro, pois não comprometem as receitas futuras com parcelas de cartão de crédito. Além disso, reduzem as compras por impulso e posteriores endividamentos.

4. Utilizar cartão de crédito apenas quando necessário

Complementar à meta possível anterior, o uso do cartão de crédito deve ser realizado de forma controlada e com muito cuidado. Quando utilizamos esse método de pagamento, ficamos com a falsa impressão de que temos mais dinheiro do que de fato temos.

Por isso, devemos utilizar os benefícios do cartão de crédito para emergências ou gastos maiores já planejados.

5. Poupar renda todos os meses

Por último, mas não menos importante, você deve criar o hábito de poupar uma parte da sua renda todos os meses. 

Sabemos que nem sempre é possível reservar grandes valores, mas você pode estipular um valor que caiba na sua realidade. Com essa reserva, você tem a liberdade de definir depois o melhor tipo de investimento

As experiências e dicas de outras pessoas são valiosas, mas você não precisa seguir fórmulas prontas. Pense na sua situação financeira, que é única. 

Como você percebeu, existem diversas dicas simples que podem te ajudar a transformar sua vida financeira. E não existe um tempo específico para isso. Qualquer momento pode ser o momento certo para estabelecer metas possíveis. Lembre-se que a persistência será a sua principal aliada nesse caminho! 

 

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