Open Banking: saiba o que é e como ele vai impactar a vida dos brasileiros?

open banking

Provavelmente você já foi impactado por alguma propaganda ou notícia falando sobre o open banking. Porém, o significado do termo ainda é desconhecido por muitos no Brasil, que não sabem verdadeiramente o que ele é e quais seus benefícios. 

A expectativa é que o open banking ofereça mais autonomia aos clientes sobre sua vida financeira, oferecendo controle total dos dados. Além disso, especialistas apostam no surgimento de novos produtos e serviços a partir dele. 

Para ajudar você a entender um pouco mais sobre o tema, este artigo vai responder às seguintes questões:

  • O que é open banking?
  • Como funciona o open banking no Brasil e no mundo?
  • O que muda com ele?
  • Quando o open banking entrará em vigor no Brasil?
  • Quais as vantagens e desvantagens do novo sistema?
  • Quais instituições bancárias farão parte?

Se interessou pelo assunto? Então, siga neste artigo e boa leitura!

O que é open banking?

A principal dúvida sobre o assunto é: afinal, o que é open banking? Na tradução livre do inglês para o português, o termo significa banco aberto ou sistema bancário aberto

Na prática, o open banking é um novo modelo de relacionamento entre bancos e consumidores, onde a proposta é aumentar as opções para o cliente e oferecer controle sobre seus dados financeiros

A ideia é que os donos das informações, ou seja, os consumidores, possam levar suas informações para onde desejarem. Essa liberdade permitirá que os clientes tenham mais autonomia para tomar decisões sobre sua vida financeira. 

A expectativa do mercado é que também haja uma movimentação das instituições para ampliar seu leque de produtos e serviços de modo a atrair mais clientes. 

Como funciona o open banking no Brasil e no mundo?

O novo modelo de negócios é composto por uma série de regras e tecnologias que integram os sistemas de instituições financeiras diferentes. 

O intuito principal é permitir o compartilhamento de dados dos clientes, a fim de que o cliente tenha mais liberdade sobre suas finanças e o que fazer com seu dinheiro. Para isso, deve ser criada uma rede de dados entre os bancos. 

Vale destacar que as informações só devem ser compartilhadas com o consentimento dos usuários. Como a ideia é facilitar a rotina dos clientes, não será criado um aplicativo ou portal para essa integração, mas serão utilizados os canais existentes dos bancos que aderirem ao programa. 

Em todo mundo, já existem movimentos que apontam a adesão ao open banking, com algumas características particulares de cada local. O pioneirismo do open banking no mundo é do Reino Unido, que já implementou em 2018. 

Na Austrália, o sistema completou um ano de utilização em julho de 2021. A Índia caminha ao lado do Brasil na criação do seu modelo de open banking. Outros locais como Rússia, Canadá, Estados Unidos e alguns países da Ásia e África estudam como aderir ao sistema. 

O que muda com ele?

Você pode estar se perguntando: o que essa novidade irá mudar na prática? Uma das principais dificuldades para os usuários e clientes de instituições financeiras é possuir um histórico sobre seu comportamento financeiro.

Dando um exemplo mais prático, para facilitar o entendimento do open banking, imagine que o cliente João do banco A precisa fazer um financiamento imobiliário. Entretanto, as condições na instituição financeira em que é correntista há anos não são as melhores do mercado.

Por isso, João decide verificar o que o banco B pode lhe oferecer. Porém, sem o histórico financeiro do cliente, o banco B não consegue verificar as informações que podem ajudá-lo a conseguir uma melhor proposta. 

Isso acontece porque, atualmente, apenas o banco A tem dados que mostram se João é um bom pagador e qual seu score de crédito. Para comprovar em outras instituições, João precisará reunir uma série de documentos e enfrentar diversas burocracias.

Com o open banking, a situação será mais simples, facilitando que os usuários contratem serviços em outros bancos. Neste caso do exemplo, basta João solicitar que o banco A encaminhe suas informações ao banco B, que fará a análise do perfil do cliente. 

Esse é apenas um exemplo de como o open banking fará a integração de dados dos consumidores entre as instituições. Mas o novo modelo permite uma infinidade de oportunidades para clientes e bancos. 

Quando o open banking entrará em vigor no sistema?

Aqui no Brasil, o prazo para finalizar o processo de implementação do open banking foi atualizado recentemente para setembro de 2022. 

Comandado e regulamentado pelo Banco Central (BC), a execução do projeto do open banking iniciou-se no 2º semestre de 2020, logo após a aprovação da regulação. 

A liberação dos serviços será realizada de forma gradual, em momentos definidos pelo BC, e as instituições participantes devem seguir alguns prazos. São eles:

  • 13 de agosto de 2021 implementar os requisitos técnicos e demais procedimentos operacionais necessários para o compartilhamento de dados sobre canais de atendimento, produtos e serviços do escopo do Open Banking;
  • 30 de agosto de 2021 — compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento de Pix;
  • 15 de dezembro de 2021 — compartilhamento de dados sobre produtos e serviços;
  • 15 de fevereiro de 2022 — compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento de transferências entre contas na própria instituição e de Transferência Eletrônica Disponível (TED);
  • 30 de março de 2022 — compartilhamento do serviço de encaminhamento de proposta de operação de crédito;
  • 31 de maio de 2022 — o compartilhamento de dados de transações de clientes;
  • 30 de junho de 2022 — o compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento de boletos;
  • 30 de setembro de 2022 — o compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento de débito em conta;

Sendo assim, todos os clientes das instituições financeiras deverão ter acesso aos serviços elencados acima até o prazo determinado. 

Quais as vantagens e desvantagens do novo modelo?

Como você pode perceber até aqui, o open banking entende que os dados financeiros são de propriedade do consumidor e não dos bancos. Por isso, a principal vantagem do novo sistema é reduzir as dificuldades dos clientes no acesso a produtos financeiros

A experiência do consumidor fica em primeiro plano com as mudanças para o modelo de negócio. 

O exemplo de financiamento imobiliário é apenas um exemplo, mas a ideia é que o consumidor possa escolher em qual instituição financeira pretende adquirir os serviços como investimentos, cartão de crédito ou conta-corrente. 

Além disso, há benefício também para as instituições participantes, pois existe uma oportunidade de conquistar novos clientes. Outro ponto positivo é que o aumento da liberdade de escolha do usuário incentiva a criação de novos produtos e serviços. 

Já as desvantagens estão muito mais relacionadas à operacionalização do novo sistema. O Brasil acabou de aprovar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garante os direitos de proteção aos dados pessoais. Neste artigo, falamos um pouco mais sobre a legislação.

Por esse motivo, a maior preocupação do setor é como garantir a segurança dos dados dos usuários, já que eles só podem ser compartilhados com autorização. Logo, a conscientização para evitar o uso indevido das informações é primordial.

A integração dos sistemas é outro ponto de atenção das instituições financeiras participantes, que terão que padronizar algumas camadas de tecnologia. Essas atualizações no sistema já existente em cada banco significam custo para as empresas. 

Quais instituições bancárias farão parte?

A principal regra para participação no open banking é ser uma instituição financeira que funcione sob regulação do Banco Central. O que muda é a obrigatoriedade ou participação opcional no novo sistema. 

As instituições classificadas como S1 (porte igual ou superior a 10% do Produto Interno Bruto — PIB) e S₂ (porte entre 1 e 10% do PIB) são obrigadas a aderir ao sistema. Entre elas estão: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Santander, Bradesco, BNDES, Citibank e outros. 

As demais empresas do setor têm participação opcional no open banking. A lista de instituições financeiras que já aderiram ao sistema pode ser consultada aqui.

Como você pode perceber, o open banking promete revolucionar a forma como os consumidores lidam com suas informações financeiras e aumentar a competitividade entre as instituições. 

Com mais liberdade para levar seus dados aos bancos de sua preferência, tudo indica que novos produtos e serviços sejam desenvolvidos e oferecidos ao consumidor para fidelizá-los como clientes. 

A preocupação com a segurança também deve aumentar o nível de proteção dos dados e conscientização dos trabalhadores do setor. O fato é que a transformação do modelo de negócios é uma tendência mundial e estará em pleno funcionamento no Brasil até 2022.

 

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